Quarenta e nove nigerianos morreram de sede após avaria no deserto

Quarenta e nove nigerianos morreram de sede após avaria no deserto

Quarenta e nove cidadãos do Níger morreram de sede no deserto, na zona fronteiriça entre a Argélia, o Níger e o Mali, após a avaria do camião que os transportava, disseram quinta-feira autoridades locais.

Lusa /
Foto: AFP

As 49 pessoas "morreram de sede numa zona remota situada a mais de 80 quilómetros a oeste de Assamaka", segundo as autoridades da província de Agadez, que administra a zona, precisando que os viajantes regressavam do Mali.

"Privados de água e incapazes de reparar o veículo, apesar dos esforços do motorista, dos seus ajudantes e dos passageiros, os viajantes viram-se presos no meio de um ambiente hostil, onde as temperaturas extremas e a ausência de pontos de abastecimento tornam a sobrevivência extremamente difícil", explicou a administração provincial, acrescentando que as vítimas foram enterradas em valas comuns.

Segundo as autoridades, "duas pessoas sobreviveram a esta provação" e "percorreram mais de 50 quilómetros a pé antes de chegarem a uma poça de água e, posteriormente, a Assamaka, onde puderam dar o alarme".

Esta zona desértica, evocada pelas autoridades locais como "um dos ambientes mais hostis do planeta", ponto de passagem conhecido dos migrantes africanos que procuram chegar à Europa, é regularmente palco de tragédias deste tipo.

Em 2025, pelo menos 35 migrantes morreram no deserto do Níger, segundo relatou a organização não governamental Alarme Phone Sahara (APS).

Em outubro de 2013, 92 migrantes nigerianos (33 mulheres, 52 crianças e sete homens) morreram de sede no meio do deserto, no norte do Níger, perto da fronteira com a Argélia, depois de terem sido abandonados por traficantes na sequência de avarias nos veículos. Tentavam chegar à Argélia.

Mais de 34 mil migrantes foram expulsos da Argélia para o vizinho Níger em 2025, segundo a APS.

No final de março, a Argélia e o Níger, que partilham uma fronteira de 959 quilómetros no meio do deserto, reforçaram a cooperação na luta contra "a ameaça terrorista", a criminalidade transfronteiriça e o aumento do comércio ilícito.

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